sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Le don des larmes

« Le regard concentre l’émotion, ou la fait naître. Il est à la fois source et réceptable. Comment naît l’émotion ? Il suffit d’un mot, d’un geste, d’une vision fugitive, mas placés à une certaine hauteur. C’est toujours une condensation vivante inscrite dans un instant fulgurant... L’émotion à l’écart des centres vitaux réglant l’ordinaire de nos sensations élementaires. C’est un fluide sinueux, doux mais implacable, parcourant le système nerveux ébranlé par une soudaine et indéfinissable visitation. L’indicible de cette onde de choc amène avec lui les larmes. « D’où vient que les vents chauds et pluvieux apportent avec eux le goût de la musique ? » s’interrogue Nietzsche dans Le gai savoir. La réponse appartient au mystère de l’être autant qu’à celui de la création, échappant aussi à toute forme de rationalité, et c’est très bien ainsi. »

« O olhar concentra a emoção, ou a faz nascer. É ao mesmo tempo fonte e receptáculo. Como nas a emção? Basta uma palavra, um gesto, uma visão fugaz, mas dispostos a uma certa altura. É sempre uma condensação viva inscrita em um instante fulgurante... A emoção distancia-se dos centros vitais que regulam o ordinário das nossas sensações elementares. É um fluido sinuoso, doce porém implacável, que percorreo sistema nervoso abalado por uma visitação súbita e indefinível. Oindescritível dessa onda elétrica traz consigo as lágrimas. “De onde vêm osventos quentes e chuvosos que trazem o gosto pela música?”, interrogava-se Nietzsche em A Gaia Ciência. A resposta pertence tanto ao mistério daexistência quanto ao da criação, que também escapam a toda forma de racionalidade,e está bem assim. » (Jean-Claude Guiguet)

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