quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

SOLANGE - Eles logo vão ver que o doutor é inocente.

MADAME - E é! Mas inocente ou culpado eu nunca o abandonarei. Assim é que reconhecemos nosso amor por alguém: o doutor não é culpado, mas se fosse eu me tornaria sua cúmplice. Segui-lo-ia até a Guiana, até a Sibéria. Sei que ele vai se arranjar, mas pelo menos esta história imbecil me permite tomar consciência da minha dedicação; e este acontecimento, que devia nos separar, nos une cada vez mais. E chega quase a me tornar mais feliz. Com uma felicidade monstruosa! O doutor não é culpado, mas se o fosse, com que júbilo eu carregaria sua cruz! De etapa em etapa, de prisão em prisão, até o degredo eu o acompanharia. A pé, se, for preciso. Até o degredo, Solange, até o degredo! Quero fumar um cigarro!

As Criadas, Jean Genet

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