segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

«Não direi que os livros franceses sejam talentosos, inteligentes e nobres. Também eles não me satisfazem. Mas não são tão enfadonhos como os russos, e neles não raro se encontra o elemento principal da criação: o sentimento da liberdade individual, que não existe nos autores russos. Não me lembro de nenhum livro novo em que o autor não procure enredar-se, desde a primeira página, em toda espécie de convencionalismos e contratos com a própria consciência. Um teme falar do corpo desnudo, outro amarrou-se de mãos e pés com a análise psicológica, um terceiro precisa de 'uma relação cálida com os homens', um quarto esparrama-se de propósito em páginas e páginas de descrições da natureza, para que não o incriminem de tendencioso... Um quer ser em suas obras, a todo custo, um pequeno-burguês, outro sem falta um fidalgo, etc. Premeditação, cautela, intencionalidade, mas não há liberdade nem coragem de escrever como se queira, e por conseguinte não há criação».

Tchekhov

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