sábado, 26 de novembro de 2011

“Ela, que vivera sempre perseguindo amores intensos, mesmo agora que estava enferma, não conseguia conciliar o sono sossegado sem sentir, no seu pescoço ou no peito, o braço de um homem. Entretanto, quando seu estado se agravou, ela implorava: — Segure meus pés! Não posso suportá-los tão tristes.

[...] No entanto, inesperadamente, as mãos dele tremeram. Sentiu a sensualidade da mulher vinda dos p...equenos pés. Aqueles pequenos e frios pés nas palmas de suas mãos suscitaram nele o mesmo prazer de tocar nos pés quentes e úmidos dela. Envergonhou-se das próprias sensações que pareciam profanar os momentos sagrados da morte da namorada. Mas aquele pedido para ele segurar os pés dela não teria sido seu último recurso da arte do amor? Ao pensar nisso, ficou aterrorizado ante a exacerbada feminilidade daquela mulher.”

Contos da Palma da mão (A Máscara Mortuária), Yasunari Kawabata.

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