quinta-feira, 24 de novembro de 2011



Ainda que o autor afirme que não traz mensagem alguma, eu sei por experiência própria que tais obras ajudam poderosamente a sentir o que para um homem sem ilusões é o fato de existir (...). Estes quadros estão sob o signo da ausência de sentido ou, se se prefere, da semrazão; parecem imagens de acordo com o vazio de nossa situação no seio deste mundo no qual, efêmeros, não somos senão os únicos seres capazes de arrebatamentos brilhantes e estéreis. Respostas, em definitivo, a um estado de ânimo que sem dúvida coincide com aquele outro ao qual, não há muito tempo, se chamou nosso mal do século: consciência ardente de ser presença aberta a todos os encantos de um mundo afinal de contas pouco pródigo em delicadezas, e glacial certeza de não ser senão isso, sem verdadeiro poder, e de sê-lo só por um período de tempo ridiculamente limitado. (...) Francis Bacon expressa o que, na realidade, constitui nossa própria condição (concretamente, a desse despossuído de todo paraíso perdurável que é o homem de hoje.)
Michel Leiris


Arquivo do blog

Seguidores