domingo, 18 de setembro de 2011

Eu digo que é preciso ser vidente, se fazer vidente.

O poeta se faz vidente por um longo, imenso e arrazoado desordenamento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; ele procura a si mesmo, ele esgota nele todos os venenos, para apenas guardar em si as quintessências. Inefável tortura em que ele necessita de toda a fé, de toda força sobre-humana, em que ele se torna entre todos o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito, - e o supremo Sábio! – Pois ele chega no desconhecido! Visto que ele cultivou sua alma, já rica, mais do que qualquer outra! Ele chega ao desconhecido, e quando, transtornado, ele acabaria por perder a inteligência das suas visões, ele as viu! Que ele irrompa em seu salto por coisas inauditas e inumeráveis: virão outros horríveis trabalhadores; eles começarão pelos horizontes em que o outro se abateu!

Carta de René Char a Paul Demeny

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