Para mim foi mais o trabalho diário. Antes de começar cada dia de trabalho, o que mais me importava era como realmente conhecer aquele homem, aquele homem grande com quem falei e que aceitou minha proposta de fazer um filme. Então veio o momento, logo nas primeiras semanas de filmagem, em que tive que descobrir como eu poderia – as palavras não são suficientes –, como eu poderia me colocar à sua altura com minha câmera. A câmera teve que descer e descer e descer, porque eu não poderia estar à altura dele. Eu precisava estar abaixo. Não foi instintivo, mas nas primeiras semanas de filmagem eu adotei essa altura, esse posicionamento, esse respeito, talvez – assim surgiu e assim ficou. Pareceu bom para mim. Pareceu bom para ele, especialmente para a imagem, e pareceu bom para ele no espaço. Ele foi mais ou menos o designer do espaço. Ele atravessa algumas coisas que nos fazem ficar atento.
Pedro Costa