Para Wilde, mentir é dar origem, pôr em movimento. Quando Alice, em Através do Espelho, diz seu nome, em resposta à pergunta mal-humorada de Humpty-Dumpty, este a interrompe e indaga: “O que significa?”. “Será que um nome tem de significar alguma coisa?”, pergunta Alice, em dúvida, e Humpty-Dumpty responde: “É claro que sim [...] meu nome traduz a minha forma”. A importância de ser Ernest (nome que Gwendolen e Cecília desejam para seus futuros maridos), conforme Wilde bem o sabe embora não nos revele, é que a palavra earnest (ou Ernest) remete ao radical indo-europeu er, que quer dizer “originar”. Ser “earnest” é ser original, formulação nonsense que Wilde, astutamente, tanto aprecia, pois originalidade, de modo geral, está ausente à sua genialidade. Personagem algum em Prudente é original; são todos sublimes e afrontosos, mas sempre tradicionais, e, ainda assim, a peça é marcada por uma originalidade vivaz.
Harold Bloom, Como e Por que Ler.