Isso me acontece tão freqüentemente, e às vezes me permite começar outras coisas. Se estou rebelde à paisagem ou aos efeitos de luz, dedico-me às figuras, e vice-versa. Freqüentemente não há nada a fazer a não ser esperar que isto passe, mas mais de uma vez eu consegui afastar a insensibilidade trocando os temas aos quais dou atenção. Mas as figuras me interessam cada vez mais. Eu me lembro de ter vivido uma época em que a sensibilidade para a paisagem me obcecava fortemente, e que eu ficava mais impressionado com um quadro ou um desenho nos quais um efeito de luz ou uma atmosfera estivessem bem expressos do que com uma figura.
Em geral, os pintores de figuras inspiravam-me um frio respeito, mais que uma calorosa simpatia.
Lembro-me ainda de ter ficado particularmente impressionado nesta época por um desenho de Daumier, um velho sob as castanheiras dos Champs-Elysées (uma ilustração para Balzac), embora esse desenho não fosse tão importante; mas sei muito bem que ele me impressionou pela concepção forte e viril de Daumier. E disse a mim mesmo: deve ser bom pensar e sentir desta maneira, e passar por uma porção de coisas para concentrar-se no que dá a pensar, e no que diz respeito de uma maneira mais pessoal ao homem enquanto homem, mais do que às pradarias e nuvens.
Em geral, os pintores de figuras inspiravam-me um frio respeito, mais que uma calorosa simpatia.
Lembro-me ainda de ter ficado particularmente impressionado nesta época por um desenho de Daumier, um velho sob as castanheiras dos Champs-Elysées (uma ilustração para Balzac), embora esse desenho não fosse tão importante; mas sei muito bem que ele me impressionou pela concepção forte e viril de Daumier. E disse a mim mesmo: deve ser bom pensar e sentir desta maneira, e passar por uma porção de coisas para concentrar-se no que dá a pensar, e no que diz respeito de uma maneira mais pessoal ao homem enquanto homem, mais do que às pradarias e nuvens.
Van Gogh, Excerto da Carta 237