sábado, 15 de maio de 2010


A natureza do seu relacionamento de trabalho com Klaus Kinski está já muito bem documentada, mas como descreveria a sua experiência com Bruno S., a estrela de Kaspar Hauser e Stroszek?

HERZOG – Isso requereria uma resposta muito longa, vou tentar centrar-me. Bruno é um homem cuja vida foi catastrófica na juventude e isso obviamente tornou-o uma pessoa “difícil” de lidar, porque ele suspeitava de qualquer pessoa do exterior, não confiava em ninguém. Tive de estabelecer uma confiança com ele e, depois de ter estabelecido essa confiança, ele tornou-se alguém muito fácil de trabalhar com. Por vezes parava de trabalhar vociferando contra as injustiças do mundo. Eu mantinha a equipa toda nos seus lugares. Dizia-lhes que mesmo que levasse três ou quatro horas com Bruno sempre a falar das injustiças, estaríamos lá e todos ouviríamos. Era sempre significativo. Fazia sempre contacto físico com ele. Agarrava-o sempre e segurava-lhe o pulso. Isso fazia-lhe sempre bem. De resto, é um homem de capacidades fenomenais e de uma profundidade e sofrimentos fenomenais. Transparece na imagem como nada que eu alguma vez fiz transparece. É, para mim, o Soldado Desconhecido do cinema.

Ainda mantém com ele?

HERZOG – Dado que agora vivo nos Estados Unidos, já faz bastante tempo que não o vejo. Já está reformado. Costumava trabalhar numa fábrica de aço como condutor de uma empilhadeira.

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